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Balaio da Gata



Dona Maira... ô tia!

Minha crise dos 30 anos chegou mais cedo, aos 25. Entrei em parafuso mesmo. Achava que aos 30 teria de estar com a vida arrumada: bom emprego, apartamento próprio, casada e já pensando em arrumar um filho. Por isso que, ao completar 25 com um empreguinho de merda, sem perspectiva de realização profissional, sem namorado, e quase tendo de voltar com o rabinho entre as pernas para a casa da mamãe, o bicho pegou.

 

O tempo foi passando... comi o pão que o diabo (com a bunda!) amassou.. a coisa foi pesada... mas, como não há mal que para sempre dure, como era de se esperar, a vida foi entrando no eixo. Cheguei aos 31 anos com um namorado, um emprego legal (pode melhorar, mas dá pro gasto), apartamento financiado e uma terrível constatação: estar “com a vida (quase) arrumada” me transformou em DONA/TIA Maira.

 

Sacanagem!!! Por que o porteiro, os motoristas da empresa, atendentes de loja passaram a me chamar de senhora/dona?

 

Dona do quê???? Esse é o jeito que as pessoas chamam a minha mãe: Dona Kátia!

 

Como não poderia deixar de ser, os 31 anos pesam em minhas costas (e nos ouvidos!) também quando estou na presença dos filhos dos amigos. TIA MAIRA!!!! Tia nããããããããããããããããão!!!! Prima... amiga... qualquer coisa... mas tia nããããããããããão!!!!!

 

Mas é inevitável. Isso ficou muito claro para mim ao visitar a casa do Lopes. Suas filhas, Fernanda e Rafaela (duas das crianças mais doces e espertas que conheço), receberam-me com sorrisos e carinhos dedicados às tias mais queridas. “Ô tiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiia!” Era isso o que eu ouvia todas as vezes que uma delas requisitava a minha atenção.

 

Foi então que resolvi aceitar o inevitável: já sou Dona Maira... e Tia Maira também! Tomara que seja menos dolorido o “upgrade” para mãe, avó...

 



Escrito por Maira às 21h26
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Voltei!

Acho que esse negócio de escrever para blog acaba revelando muito da nossa vida. E não estou me referindo ao que a gente conta por aqui. Na verdade, refiro-me não ao conteúdo veiculado nos posts, mas sim no que está por trás do silêncio.

 

O Balaio esteve em silêncio nos últimos meses. Por quê? Simples. Existem momentos em que a vida da gente fica tão mecânica (acorda - trabalha - estressa - trabalha - descansa um pouquinho para trabalhar mais - decepciona - trabalha - trabalha - trabalha - estressa - trabalha...) que a gente não tem nada para dizer. Nem pros outros, nem pra gente mesmo.

 

É nesse momento que o corpo começa a dar defeito, “o sistema fica nervoso”, e você só pensa em correr... correr... correr para beeeeeem longe de tudo. Até mesmo daqueles que você mais ama... até mesmo das coisas que você mais gosta...

 

Daí você se obriga a pisar no freio e sai da roda-viva. Meio tonta e com síndrome de abstinência da loucura de outrora, começa a perceber que está deixando de ser robô e voltando a sentir o sangue correndo nas veias. O coração volta a pulsar e o cérebro volta a pensar colorido.

 

Férias! Quinze dias para oxigenar. De repente, você percebe que os sentidos começaram a funcionar de novo e passa a ter o que falar.

 

Enfim... sem grandes pretensões, o Balaio está de volta. Até quando? Não sei. Tomara que por muito tempo. Não quero virar robô de novo...



Escrito por Maira às 20h17
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